domingo, 30 de setembro de 2018

#01 FRAGMENTOS DE MIM

Ilustração por Fernando Cobelo.

Sempre adorei ler posts de outras pessoas que falavam sobre as suas reflexões e considerações em doses, em cápsulas. Eu gosto de conhecer o outro e o seu jeito de ver o mundo. Gosto muito de saber como as pessoas encaram as peripécias do dia a dia. Por isso, hoje, eu quis fazer assim: contar como tenho andado, em partes, fragmentos do todo que sou.

Fragmento 01: Sobre a terapia.

Se não me falha a memória, havia contado por aqui, em janeiro de 2017, que eu tinha começado a fazer terapia. Naquele período, fiz pouquíssimas sessões e quando eu “entendi” que já tinha alcançado o meu objetivo, que já estava “tudo bem, até” para continuar a terapia, eu dei alta para mim mesma. Tanto não era um objetivo muito concreto naquela época, que acredito ter colocado outras prioridades na frente dessa. Prioridades que eu nem sei mais quais eram. Acontece que o tempo passou e eu tive perfeita convicção de que, não, eu ainda não tinha “entendido” nada. E precisei voltar. Eu quis muito voltar.

Já são quase dois meses de terapia. Nesse pequeno espaço de tempo, eu consegui destrinchar várias questões internas (graças à atuação admirável da minha terapeuta). Toda vez eu saio das sessões com muitas coisas pra pensar, ou melhor, repensar. É fantástico como as coisas acontecem de um jeito dentro da nossa cabeça e como podem se transformar quando as traduzimos em palavras. E mais, quando alguém preparado para te ouvir te mostra os “outros lados” de cada situação. Acho, sinceramente, que quem puder fazer terapia, deve fazê-la. Ela é um exercício de percepção de si e do mundo, um exercício de autoconhecimento.

Fragmento 02: Sobre o trabalho.

Desde que decidi ser fotógrafa, tenho aprendido coisas que não conseguiria supor antes de escolher a fotografia. Confesso que entender o mercado tem sido o maior desafio da profissão. Eu amo fotografar e mostrar a minha visão de mundo através das imagens. Existe um porquê grande dentro do meu coração em se tratando de fotografia, sabe? Mas, fotografia também consiste em vendas e marketing. Creio que quem trabalha com a arte e é autônomo também tenha algum nível de dificuldade para aprender essas lições, assim como eu. O que venho tentando fazer é aprender, afinal, muitas coisas a gente só descobre quando está imerso. Eu estava com muita pressa de ver tudo funcionando perfeitamente quando resolvi lançar a minha marca no mercado. Mas, hoje, 1 ano depois de nascida a ideia (e 6 meses depois de lançada a marca), eu entendo que há coisas que levam tempo. E não há de ser ruim por isso. Tive uma chefe que sempre repetia: “só o que cresce lentamente cria raízes profundas”. Estou abraçando essa afirmação com força.

Fragmento 03: Filmes, séries e músicas.

Desde que assinamos a Netflix, adicionamos a série Grace and Frankie a nossa lista. E depois de muito tempo (muito mesmo) eu resolvi assisti-la. A série é incrível e tem me feito muito feliz! Nela, a vida de dois casais (já na casa dos 70) muda radicalmente – por um motivo complexo – e as pessoas envolvidas nessa situação precisam reaprender sobre si mesmas e repensar a vida que levarão dali em diante. Acho a série madura e leve! Grace e Frankie têm uma forma diferente de ver o mundo (mesmo entre elas) e isso me encanta muito. Há maturidade, vulnerabilidade e perspectiva muito diferentes do que se passa na cabeça de uma pessoa mais jovem, como eu. Porém, ainda assim, elas são humanas e sentem como qualquer pessoa de qualquer idade pode sentir.

O filme O Autor, de produção hispano-mexicana, foi uma surpresa sensacional! Eu tenho uma queda por filmes em que há escritores no roteiro e, então, quando vi a sugestão da Netflix, me rendi. Álvaro é o protagonista, aspirante a escritor e obcecado pela ideia de escrever seu primeiro livro. Sonha que não seja só mais um livro qualquer. Nada de raso, nada de superficial. A sua obsessão é tamanha que ele decide tomar uma decisão perigosa demais apenas para que ele tenha sobre o que escrever, visto que a inspiração genuína nunca vinha. Esse filme me deixou, sério, de boca aberta! A cadência mais lenta vai amarrando a gente na história, cena a cena.

Quanto à música, tenho ouvido playlists deliciosas do Spotify. A Writing a Paper escuto quando estou escrevendo, por ter músicas mais introspectivas, meio undergrounds, sabe? E a Cafezinho é uma combinação muito atraente de músicas populares brasileiras, das mais antigas às mais fresquinhas. Escuto mais quando estou fazendo coisas em casa que precisam de uma dose de ânimo e leveza.

Fragmentos para resumir um todo. Quais têm sido os seus?

sábado, 25 de agosto de 2018

A SUA RECEITA.

Ilustração por Ana Santos
https://www.anasantosilustracion.com/


Quais são os ingredientes da sua receita? – essa foi a analogia poderosamente simples que a fotógrafa Clara Sampaio usou para, no fundo, nos fazer questionar sobre o que faz a gente ser a gente.

Clara esteve aqui, em Angra dos Reis, há pouco tempo. No dia 17 de agosto, pudemos nos encontrar com ela na Casa de Cultura Larangeiras. Eu e tantos outros amantes da fotografia tivemos a sorte de ouvi-la falar sobre a nossa paixão em comum. Mas, mais do que isso, o que ouvimos dela trazia notas da maravilha de ser quem se é. E isso vai além da fotografia. Por essa doce inspiração, decidi que escreveria um pouquinho aqui; o suficiente para me fazer entender e, quem sabe, te inspirar também.

Quando a Clara nos levou a considerarmos “quais seriam os ingredientes para a nossa receita na fotografia”, uma porção de insights surgiu aqui dentro. Dentre eles, emergiu uma releitura do questionamento que ela nos fez, que seria mais ou menos essa: quais são os ingredientes que fazem você ser a pessoa que é?

Assim como uma receita resulta de um misto inteligente de ingredientes, nós – humanos complexos – também somos o resultado de um misto deles: os nossos comportamentos, os sentimentos que temos, as características que carregamos; nossas visões, desejos, nossos sonhos e planos. Tudo isso incorporado.

Como em uma receita, há medidas e medidas que nos tornam ora doces, ora amargos. Como em uma receita, temos nosso próprio tempo para nos transmutar. Como uma receita, agradaremos ou não aos diferentes paladares desse mundo. Como uma receita, o toque daqueles que nos auxiliam a construirmos a nós mesmos sempre nos transforma de um jeito único. Como qualquer receita, ainda que nos assemelhemos com muitas outras, jamais seremos iguais a nenhuma delas.

Considerando isso, talvez a grande diferença – e maior benção – entre nós, humanos, e uma receita seja essa: estaremos sempre em preparo. Nunca seremos uma mistura perdida e nem sequer um prato finalizado. E isso não seria uma dádiva?

Cá estou eu me perguntando, graças a Clara, quais são os ingredientes que, hoje, me tornam a Laysla que sou. E que deleite é poder descobrir!


- Um beijo grande a Clara Sampaio, que tanto nos inspirou com o seu jeito amoroso e divertido. Outro beijo a Bel Sampaio, irmã da Clara, tão simpática (e que também conversa sobre astrologia em um primeiro papo)! Gratidão! -

quarta-feira, 15 de agosto de 2018

A MELHOR IDEIA DE TODAS.

Ilustração por Fernando Cobelo.


Eu sou o tipo de pessoa que se empolga. Daquelas que quando tem uma nova ideia pensa ser essa a melhor de todas as outras. Pode ter a ver com o exagero típico de sagitário? Pode. Mas talvez tenha muito mais a ver com a falta de clareza que toda empolgação traz.

Seja para curar uma ferida, para criar novos desafios, para colocar a vida em movimento, as novas ideias surgem sempre coloridas por aqui. “Essa, sim, vai me salvar!” – penso, ignorando firmemente que toda moeda tem dois lados.

A gente bem sabe – já deu pra perceber – que a vida não é tudo azul, todo mundo nu, como canta o Lulu. Tudo na vida, por mais belo que seja, tem o seu desafio. E por acaso você acha que eu me lembro disso na hora do êxtase? É claro que não.

Os dias vão passando e a máscara multicolorida da fantasia se desfaz pouco a pouco. A realidade – convidada que tarda, mas sempre aparece – vem lembrar que, há algum tempo, não somos mais crianças. Mas que nem por isso há de ser ruim.

Ela vem dizer que, às vezes, é necessário escolher o seu desafio preferido, em vez de escolher só aquilo que te encanta em cada ideia. E que se assim for - se a gente escolher os desafios que quer e pode enfrentar - essa jovem senhora que a realidade é não vai mais surpreender quanto bater à porta. Quando ela chegar, já vamos poder dizer: “eu estava esperando por você, pode entrar!”.