terça-feira, 15 de janeiro de 2013

AS OUTRAS PESSOAS.



- Aqui tem gente de todo o tipo, mãe.

A moça do caixa da padaria é um doce e está sempre com um sorriso no rosto. Ontem mesmo a vi numa situação muito delicada, que ela levou na maior compostura. O seu Francisco, cabra nervoso, vindo lá do Nordeste, perguntou sobre o sonho que estava na terceira prateleira. Queria saber se era fresco. Para a infelicidade da Helena, acho que é mesmo esse o nome dela, o sonho era da tarde anterior. Imagine a grave cena. Ela, com um sorriso meigo, contornou a situação, toda cheia de paciência e floreios. Um tipo admirável.

Com o seu Francisco, fui um pouco injusta. "Brabo" ele é, e não faz questão de esconder, não. Mas tem um coração imenso e é de uma educação! Não passa ao lado de ninguém sem desejar um "Bom dia!". Ele busca o netinho na escola todos os dias e já dizem por aí que a moça da cantina está arrastando asas para ele. Também, faz o tipo galã da terceira idade.

São bons, os meus vizinhos; é o que posso dizer sem titubear - respondi a minha mãe, ao telefone. Só que, para ser bem franca, não posso dizer exatamente quem são. Como diria minha avó, a partir do momento em que fazemos qualquer julgamento dos outros, eles perdem a essência própria e passam a ser, de fato, nós mesmos. E aí já vira falha. Quem as pessoas são, só elas sabem.

Talvez, nem elas.

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