quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

BEM MENOS.


São as fotos ao lado daquela morena que me deixam ainda mais alucinada por ele. Só pode ser. Um casal jovem, sorridente, muito bem vestido. Mais inconformada fico ao ver essa cena compelida usando pijamas. Se já não sigo o estereótipo de beleza, me sinto num nível ainda mais inferior. Parece bobagem?!

Irônico é que costumo receber mensagens no celular exatamente nesses dias mais insípidos. “Tô com saudade. Quero te ver.” E eu, provavelmente, já o vi ... nas fotografias. Estranho que eu me sinta importante ao ler essas palavrinhas sonsas, de fundo falso. Não respondo. Pelo menos até a quinta chamada perdida.

Sempre aviso aos meus pais. Não se vê mais dessas coisas, hoje em dia. Mas é que eu procuro ser prática. Aviso logo a eles com quem, quando ... menos aonde vou. Parece que é só pelo prazer posterior em ouvir minha mãe dizer aquele sutil e áspero “Eu te avisei.” Tudo bem. Pago por também tê-los avisado. Mas, alguém precisa dividir comigo desse fardo.

Levo horas pra escolher as roupas. E lá no fundo eu sei que “roupas” pouco interessam pra ele. Passo um perfume doce, por já ter ouvido dizer que são os mais marcantes, apesar de também ter ouvido dizer que são os perfumes doces que os homens menos preferem. Ótimo! Se não for por um bom papo, que eu seja lembrada pelo incômodo do cheiro no travesseiro.

Às 23:00h ele chega. E eu me sinto como mulher da foto – bonita, sorridente, especial – querendo ou não. Me sinto como a mulher da foto, não fora o fato de ninguém pode nos ver. Estarmos estampados num papel brilhante é ilusão minha, das mais pobres. Na manhã seguinte, eu volto pra casa. Pouco sorridente, pouco bonita, pouco especial. Volto, sentindo que valho menos, principalmente por querer mais.

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