domingo, 6 de janeiro de 2013

"MESMO SEM ME LIBERTAR, EU VOU."



A liberdade não existe e, de tanto buscá-la, muitos acabam por dar com a cara no muro, sem maiores surpresas. Nunca gostei de assuntos que tendem à filosofia. Na verdade, até gosto, mas para mim mesmo (se é que posso chamar de filosofia os meus boquiabertismos). Discuti-los me cansa um pouco. Convencer a qualquer um é tarefa para os fortes, bem dizer. Coisa que não sou.

Existem certas coisas que independem de definição, como é o caso da liberdade. O problema maior é que eu sou teimoso, gosto de tudo bem definido e ... solto o verbo quando bebo. Me vale o álibi para qualquer besteira, dita ou feita, ontem ou amanhã. No meu quarto, pouco arejado, é onde geralmente me esvazio. Aqui mesmo, por essas horas da madrugada. Longe das vozes estridentes da família, mas nunca longe do som insuportável dos carros. Não deve haver um instante sequer em que todos durmam nessa cidade.

Há muito não tenho estado só. Nem em atos, nem em ideias. Nem na madrugada. Quando me afasto do excesso, por pouco tempo que seja, é que me vejo mais completo, mais íntegro. Estranho como o cara aqui, calado no quarto, parece tão mais independente. Tão mais autêntico, no reflexo d'um copo de café. E impressiona como, nem assim, se vê, verdadeiramente livre. Nem mesmo pagando o próprio aluguel.

Cá entre nós ... Liberdade tem um quê de ilusão. Um quê de nostalgia de algo que nunca se vive. Desde as coisas mais banais, tudo é suficientemente dependente para me convencer de que liberdade só existe no plano das ideias. Um sonho ... de liberdade. Adjunto ideal. E, não. Eu não descobri isso sozinho. Fui eu, a cachaça e tantos outros filósofos de botequim. E os de não-botequim. Perdão! Nós, todos juntos, nos esforçando para fazer valer aquilo que nem todo mundo percebe: ninguém foi feito para a liberdade. Há ideia subordinada, como também há ato. Há uma dor de cabeça que puta-que-o-pariu. Mas liberdade, meu amigo, essa não há não.

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