segunda-feira, 3 de novembro de 2014

DO VENTO.


Ouvi dizer que o vento leva.
E o vento leva aquilo que deve ir.

Por um caminho que não se sabe, ao certo, qual.

Numa pressa definida pela estação, apenas.
Com uma intensidade sentida pelo toque à pele.

Ouvi dizer que o vento traz.

E o vento traz aquilo que deve vir.

Imperceptível aos olhos, só os poros permitem vislumbrar.

Entra pela porta aberta. 
Pela janela, pela fresta, pelo rasgo, até.
E sem que se atente, suavemente, enche o peito outra vez.

Se o vento fosse gente,

seria ele um verdadeiro leva-e-traz.