sexta-feira, 31 de julho de 2015

ELA - A MODA - E EU.

Confesso que era difícil pensar em moda sem logo associar a ela uma conotação negativa. Desde muito nova, comecei a me interessar por diversos blogs com esse foco e, assim, a passar horas à fio em frente à tela do computador. Mas, embora eu admirasse o que encontrava, sentia que a minha realidade era distante demais da realidade das blogueiras que eu acompanhava. E, acredito que muitas pessoas se sintam assim.

Hoje, um pouco mais velha, e sem ter deixado de acompanhar o trabalho das blogueiras com as quais me identifiquei, percebo que a moda pode ser muito mais acessível e interessante do que ela me parecia ser. 

Essa mudança de pensamento aconteceu porque entendi que a moda nem sempre (ou quase nunca) é sinônimo de futilidade. Ela faz parte da história, da cultura, da expressão do meio e, o mais importante, da expressão individual da nossa personalidade. É bacana demais notar que o que vestimos transmite a mensagem exata que queremos dizer.

A sustentabilidade tem abraçado a moda há muito tempo. E também, há muito tempo, as grandes marcas tem cedido espaço nos guarda-roupas para outras. Há lugar para todos os gostos e há acesso para todos os bolsos. Não é ótimo?

Então, venho contar para vocês que decidi trazer um pouquinho de moda para cá, embora não seja uma especialista sobre o assunto. Preparei tags que, aos poucos, virão ao ar; e um projeto de moda inusitado que tem me deixado ansiosamente feliz está a caminho! Conto mais sobre ele em um próximo post. Aceito sugestões com o coração aberto! 



E quanto há você? Qual é a sua relação com a moda?

sexta-feira, 24 de julho de 2015

TALVEZ.


Uma carreira, uma viagem, um móvel, um amor. Em qualquer patamar da vida, essas ramificações poderiam ser infindáveis. E cada uma delas, em sua miudeza ou grandeza, te tornaria um alguém potencialmente diferente do que aquilo que, hoje, você pensa ser.

Eu poderia vir a ser a melhor profissional do meu ramo, servindo às exigências de uma grande empresa. Sendo pontual e andando muito bem penteada. Unhas feitas, por favor! Em contrapartida, arriscar-me no universo empreendedor, fazer meus horários e enriquecer meu próprio nome, soa deliciosamente favorável.

Conhecer os cantos do Brasil seria instigante. O aconchego frio do Sul. O calor energizante do Nordeste. Preparar-me para boas hospedagens. Piscina, sauna, ofurô. Ou poderia colocar uma mochila nas costas e ir, sem rumo, conhecer o que os outros continentes têm a oferecer. Pouco dinheiro na carteira e muita fé no acaso.

Lá em casa, poderíamos ter uma nova TV. Cada um no seu cômodo, acomodado, no comando do controle. TV aberta, lá na sala. TV fechada, aqui no quarto. Mas, poderia somente encher a casa de lar. Em cada tecido, porta-retrato, prateleira de livros, um significado verdadeiramente valioso.

Poderia não me prender à ninguém. Provar várias bocas; conhecer outras peles. Deixar, talvez, interditado o coração. Passagem proibida. Ou poderia só as abrir as portas e janelas, varrer todo o espaço de dentro. Permitir que um alguém entrasse, sentasse no sofá e aceitasse um café. Megulhar outra alma. Ser, eu, um mar para mergulho de um só. 

Tantas coisas podem vir a ser!

Porém, enquanto não o são, elas tratam de nos lançar em um labirinto de possibilidades. Possibilidades são apenas hipóteses. Além disso, ainda não são nada. Abstrato, subjetivo. Mas, e enquanto nos questionamos? E enquanto ponderamos o que nos parece ser bom ou ruim? Enquanto escolhemos, a pergunta é: quem somos nós?

Talvez, sejamos uma imensa possibilidade. Talvez, sejamos, irredutivelmente, a busca. Talvez.

domingo, 19 de julho de 2015

ARNALDO ANTUNES: NA FLIP, NO PALCO E NO FONE DE OUVIDO.

Embora a Flip – Festa Literária de Paraty – já tenha chegado ao fim há alguns dias, eu não poderia deixar de sinalizar mais uma coisinha quanto a ela: a minha única insatisfação. E, não; a culpa não foi do evento! Foi minha. Eu, infelizmente, não participei da palestra do cantor, poeta e compositor que eu tanto admiro: o Arnaldo Antunes.

Me informei a respeito e soube que o assunto abordado por ele e Karina Burh, na palestra intitulada "Desperdiçando Poesia", foi a poesia musicada e seus afins. Encontrei um bom artigo no G1 e ainda um vídeo liberado pela própria FLIP, com o qual me fiz por satisfeita. Esse aqui:


Em compensação, e por pura sorte, no dia 10 de julho, (que foi numa sexta-feira), graças ao circuito SESC, o polo de Barra Mansa contou com a presença dele, o Arnaldo. Numa montagem minimalista e com um repertório que mesclou sucessos antigos e de seu último álbum, Disco, o artista envolveu o público e fez a gente sorrir e chorar. Falo por mim.

Inspirada por essa "chuva de Arnaldo", decidi compartilhar com vocês quais são os meus 3 álbuns favoritos de sua carreira solo. Vale dizer que, ao todo, são 15 álbuns:

  • Nome (1993)
  • Ninguém (1995)
  • O Silêncio (1996)
  • Um Som (1998)
  • O Corpo (2000)
  • Paradeiro (2001)
  • Saiba (2004)
  • Qualquer (2006)
  • Ao Vivo no Estúdio (2007)
  • Iê Iê Iê (2009)
  • Pequeno Cidadão (2009)
  • Ao Vivo lá Em Casa (2010)
  • Especial MTV - A Curva da Cintura (2011) (com Edgard Scandurra e Toumani Diabaté)
  • Acústico MTV - Arnaldo Antunes (2012)
  • Disco (2013)

E os meus 3 álbuns favoritos são (que coisa mais difícil!):

  • Saiba (2004): Esse álbum é um misto de emoções: há amor (Pedido de casamento, Cabimento, Grão de amor, Consumado, A razão dá-se a quem tem), uma pitada de sensualidade (Cachimbo, Imaginou) e, ainda, reflexão sobre identidade e o nosso lugar no mundo (Saiba, Se assim quiser, Elizabete no Chuí, Onde estavas, lugar?, A nossa casa, Itapuana, Areia).


  • Qualquer (2006): Eu enxergo esse álbum como um todo. Um trabalho completo e autoexplicativo. É como se cada canção contasse uma história que pode ser facilmente ligada à outra. Um álbum intenso e emotivo. E que - se é que eu posso garantir isso por muito tempo - traz a minha música preferida: Dois perdidos.


  • Iê Iê Iê (2009): É alegria pura! Dá vontade de sair dançando pela casa, com os passinhos desconexos que o próprio Arnaldo lançou. E, de repente, cair num choro rápido com a Meu coração. Já que Arnaldo sem drama, não é Arnaldo, poxa!

Não foi fácil selecioná-los. Há diversas músicas incríveis espalhadas por esses álbuns à fora. Bom, espero que, caso você não conheça o trabalho do cantor, termine de ler esse texto com vontade de ouvi-lo. E, quem já o conhece, por favor: toca aqui! o/

Beijos e até!

segunda-feira, 6 de julho de 2015

A FLIP - E O QUE APRENDI EM PARATY.

Nos últimos dias - de 01 a 05 de julho -, Paraty ficou abarrotada de pessoas graças a um dos maiores eventos que a cidade sedia: a FLIP - Festa Literária Internacional de Paraty. A feira, que ocorre desde 2003, conta com quase 200 eventos que são distribuídos em classificações, como: Programação Principal, FLIP - Casa da Cultura, FlipZona e Flipinha, além da OFF-FLIP, eventos literários que ocorrem paralelamente, no mesmo período. A cada ano, um autor é homenageado. Neste, o escolhido foi Mário de Andrade, um dos principais nomes do movimento modernista brasileiro; um grande poeta, escritor, crítico literário, musicólogo, folclorista e ensaísta. Os visitantes podem se deleitar com ricas palestras ministradas por estudiosos, artistas e escritores. Além disso, a excelente infraestrutura do evento permite que todos tenham acesso ao seu conteúdo, faça chuva ou sol.


Essa foi uma oportunidade que veio a calhar, para que eu matasse (ainda que só um pouco) a saudade da cidade que me acolheu tão bem pelo tempo em que vivi nela. Paraty me proporcionou experiências únicas e é sobre elas que eu quero falar. Porque, se você ainda não teve a oportunidade de conhecer, deveria começar a pensar sobre isso.





Paraty te permite conhecer pessoas de vários lugares do mundo. E se essas pessoas não se tornam seus amigos, ao menos observá-las pelas ruas, seu modo de vestir ou se pronunciar, vai abrindo, aos poucos, a nossa mente e mudando a nossa percepção do mundo.




Paraty é o lugar onde aprendi a perceber o quanto podemos nos preocupar demais com superficialidades. Andar de chinelos a qualquer hora do dia foi um detalhe ao qual me apeguei e me entreguei de cara, eu diria. A vaidade, pelo menos no meu caso, foi deixada um pouco de escanteio.Vestir-se ou pentear-se como bem entender, ter a liberdade de ser o que se é, é, de fato, renovador.




A natureza importa. Poder andar na praia depois de um dia de trabalho é mesmo incrível. Para alguém que nasceu e cresceu num lugar onde o urbanismo é acentuado, estar em contato com o sol, com o mar e com a terra, faz com a gente entenda que precisamos sair. De onde? Sair de um mundinho próprio e limitado e ver o que tem lá fora. Tirar os sapatos e sentir a areia. Soltar o cabelo pro vento bater. Se desligar do virtual e conhecer o natural, que é tão lindo. E que revigora. 






A arte, por sua vez, é dádiva e está em todo lugar. Artesanato, teatro, música, culinária... Há diversidade em tudo! Assim como há beleza.



A visita nesse domingo me fez lembrar de tudo isso, e eu não poderia deixar de falar sobre. Esse texto, para você, pode servir como um estímulo para o seu próximo destino de viagem. Para mim, é como um agradecimento à vida, por ter me permitido conhecer - e ser - esse lugar. Existe amor em Paraty.