sexta-feira, 24 de julho de 2015

TALVEZ.


Uma carreira, uma viagem, um móvel, um amor. Em qualquer patamar da vida, essas ramificações poderiam ser infindáveis. E cada uma delas, em sua miudeza ou grandeza, te tornaria um alguém potencialmente diferente do que aquilo que, hoje, você pensa ser.

Eu poderia vir a ser a melhor profissional do meu ramo, servindo às exigências de uma grande empresa. Sendo pontual e andando muito bem penteada. Unhas feitas, por favor! Em contrapartida, arriscar-me no universo empreendedor, fazer meus horários e enriquecer meu próprio nome, soa deliciosamente favorável.

Conhecer os cantos do Brasil seria instigante. O aconchego frio do Sul. O calor energizante do Nordeste. Preparar-me para boas hospedagens. Piscina, sauna, ofurô. Ou poderia colocar uma mochila nas costas e ir, sem rumo, conhecer o que os outros continentes têm a oferecer. Pouco dinheiro na carteira e muita fé no acaso.

Lá em casa, poderíamos ter uma nova TV. Cada um no seu cômodo, acomodado, no comando do controle. TV aberta, lá na sala. TV fechada, aqui no quarto. Mas, poderia somente encher a casa de lar. Em cada tecido, porta-retrato, prateleira de livros, um significado verdadeiramente valioso.

Poderia não me prender à ninguém. Provar várias bocas; conhecer outras peles. Deixar, talvez, interditado o coração. Passagem proibida. Ou poderia só as abrir as portas e janelas, varrer todo o espaço de dentro. Permitir que um alguém entrasse, sentasse no sofá e aceitasse um café. Megulhar outra alma. Ser, eu, um mar para mergulho de um só. 

Tantas coisas podem vir a ser!

Porém, enquanto não o são, elas tratam de nos lançar em um labirinto de possibilidades. Possibilidades são apenas hipóteses. Além disso, ainda não são nada. Abstrato, subjetivo. Mas, e enquanto nos questionamos? E enquanto ponderamos o que nos parece ser bom ou ruim? Enquanto escolhemos, a pergunta é: quem somos nós?

Talvez, sejamos uma imensa possibilidade. Talvez, sejamos, irredutivelmente, a busca. Talvez.

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