sexta-feira, 25 de março de 2016

"O QUARTO DE JACK" E OS NOSSOS TAMBÉM.

É engraçado como nós dois nunca conseguimos assistir a todos os filmes indicados ao Oscar antes da revelação do prêmio. Não são poucas as conversas em que pagamos de Glória Pires por não sabermos opinar sobre. Então, agora que o frissom já passou, consideramos não desistir dos filmes e assistir assim que sobrar um tempinho na semana.


Começamos, então, com "O Quarto de Jack" (Room). Confesso que vimos há cerca de 20 dias atrás (ou mais), o que não muda o fato de ter sido um dos filmes que mais me provocou uma sensação de angústia que já vi. Já se passaram alguns dias, mas eu me lembro bem da sensação. É difícil fugir do spoiler, então, caso você ainda não tenha visto e não queira saber nada sobre ele antes, sugiro que assista e volte para ler depois.


Como eu dizia, a sensação de angústia aconteceu desde as primeiras cenas, quando eu percebi que mãe e filho, juntos, viviam enclausurados em um quarto. Trata-se de um sequestro. Por 7 anos, a mãe de Jack, Joy (Brie Larson) vivia naquele lugar. E, há cinco, Jack (Jacob Tremblay) havia nascido. Imagine só! Uma criança nasce e durante toda a sua vida, literalmente, tudo o que conhece é um quarto, a mãe e, de certa forma, o Velho Nick (Sean Bridgers), que os mantém em cativeiro. 

Esse quarto torna-se o mundo em que ele acredita. O que há ali é tudo. E o que há na TV é irreal. A mãe não conseguiria explicar a uma criança tão pequena a realidade sobre o mundo. O verdadeiro. Porém, quando Jack completa 5 anos, as coisas mudam. Ela resolve contar ao filho que o que é real vai além daquelas 4 paredes, a fim de, além de apresentá-lo à verdade, contar com ele para um novo plano de fuga.

Não quero me ater aos detalhes. Só dizer que foi justamente esse momento do filme que me tocou. Quando Jack foi confrontado em relação a sua realidade. Sua primeira reação, como não poderia deixar de ser, foi defensiva. Não! Não era possível uma história como aquela que a mãe contava a ele. Um mundo? Como seria? O que seria? O medo (um medo que faz a gente, que assiste, ter medo junto) de Jack é legítimo. Nós mesmos não temos um medo absoluto de tudo aquilo que ainda nos é estranho?

O Bruno fez uma análise e, depois, ficamos pensando sobre isso. Sobre como parecemos viver no nosso próprio "quarto de Jack". Não só nós, todos. Não conhecemos uma infinidade de coisas sobre o mundo e isso, muitas e muitas vezes, nos apavora. É seguro estar num lugar onde você conhece tudo. As pessoas são as mesmas, as funções são as mesmas, os horários, a alimentação, as ações e reações. 

Saber exatamente com o que estamos lidando é uma sensação confortante. Embora exista um mundo imenso (até mesmo de possibilidades) para ser explorado. Não falo apenas do espaço físico. O espaço psicológico em que a gente se encontra  também pode ser um quarto. Um quarto com os mesmos itens desde quando a gente nasceu. E, como seria abrir a porta desse quarto e explorar o que tem lá fora? Ainda que assustador, seria mágico!

Ma: Você vai amar!
Jack: O quê?
Ma: O mundo.

Preciso contar que, sim, Joy e Jack conseguem fugir do quarto. E, mesmo que a princípio a sensação de angústia permaneça, não demora para que as coisas comecem a se encaixar. Como na vida! Daqui em diante, vou deixar que você analise. Mesmo depois de tudo o que contei, ainda há muito o que ser explorado nesse filme que eu julgo ser maravilhoso. Por fim, essa citação:

Jack: Nós estamos em outro planeta?
Ma: No mesmo. Só num local diferente.

Beijos e até!

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