quarta-feira, 9 de março de 2016

O QUE DESCOBRIMOS COM O FILME "BOYHOOD"?

Acho que um dos filmes relativamente recentes sobre o qual mais ouvi opiniões divergentes foi Boyhood - Da infância à juventude. O meu interesse por assisti-lo era grande, devido ao burburinho criado por ter sido um longa gravado durante 12 anos. Que sacada! Poder acompanhar o crescimento e desenvolvimento das personagens foi o que me instigou e, apesar das críticas negativas, fez com que eu me rende-se. Há cerca de duas semanas, quando o Bruno conseguiu o DVD emprestado, pensei: "agora vai"!


Enquanto víamos o filme, o Bruno disse algo sobre não estar "acontecendo nada demais". Ele se referia ao clímax, creio eu. Bem, a história é a seguinte: gira em torno de uma família formada por pais separados e dois filhos; todos se envolvem com outras personagens em algum momento. Essas relações desencadeiam reações diversas; ora boas, ora ruins. Mas, então, como não acontece "nada demais" durante o filme? Não há nenhum momento "espetacular"? E isso lá é possível?

É sim! Sinto informar, amigos, mas não há momentos, digamos, triunfais no filme. Você pode me perguntar, então, por que assisti-lo? Simples! Eu encaro o filme Boyhood como um retrato fiel da vida real. Enquanto o filme corre, vemos relações sendo feitas e desfeitas, pessoas se encantando e desencantando com outras, gente entendendo e não entendendo o lado do outro. Vemos como muitas brigas são ridiculamente banais analisadas de fora e, principalmente, em outro momento (em meses ou até mesmo anos!). E, principalmente, como nos submetemos a coisas absurdas por não entendermos a gravidade da situação no momento em que ela acontece. Percebemos que, infelizmente, muitos filhos são frutos das decisões dos pais e, em contrapartida, muitos pais são reflexo das reações dos filhos. Percebemos como o desejo dos outros muitas vezes nos é imposto sem que possamos escolher. E notamos como muita gente erra ao depositar em outro alguém os seus próprios sonhos e aspirações. Essa é a vida real! Essas são coisas que acontecem todos os dias, com qualquer pessoa no mundo. 

Outro detalhe que me instigou foi que ninguém parece ser a personagem principal. Pelo menos, foi como eu entendi. Em cada momento, o foco está em alguém diferente. Os sentimentos não são profundamente analisados. Os pontos de vista são rasos, talvez. E é outro acerto! Entendam: não é verdade que em algumas fases que encaramos, só nós mesmos parecemos nos importar verdadeiramente? Seja com a maneira como vemos o mundo ou com os nossos gostos e crenças. Por vezes, quase não nos damos conta de que a vida dos demais continua acontecendo, estejamos bem ou estejamos mal. E que as pessoas continuarão seguindo seus próprios caminhos, quer você queira ou não.

Em um momento do filme, a personagem Olivia Evans (Patricia Arquette) diz algo como: "E agora? O que acontece? É só isso que é a vida?". Ela havia criado os filhos, estudado, trabalhado, garantido o sucesso profissional, casado e se divorciado duas vezes e ... depois? Segundo ela, esperaria pela morte. Forte? É, acho que sim. Mas, o lado bom foi que esse longa me fez pensar que na vida não há um clímax incontestável. O que pode ser muito bom, visto sob um prisma otimista. A felicidade da vida deve ser exatamente esse momento que você está experimentando agora. Então, tenho certeza que não há nada melhor que possamos fazer além de aproveitá-lo e torná-lo, de alguma maneira, único!

Beijos e até!

(Mais detalhes sobre o filme aqui!)

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