terça-feira, 5 de abril de 2016

EU SOU BONITA OU NÃO? EM QUE DEVO ACREDITAR?

Desde criança, sou um tanto quanto fissurada com espelhos. Meus pais e meu irmão que o digam! Várias e várias vezes, ocupei a vaga do banheiro só pelo capricho de ficar olhando para o espelho e analisando minuciosamente a minha imagem. 

Minha aparência na infância foi marcada por uma magreza preocupante. Com cerca de 9 anos de idade, descobrimos que eu tinha leocopenia, doença que ocorre quando o número de leucócitos, que são as células de defesa do sangue, está baixo. Estive internada por dias por causa disso. Quando recebi alta, a saga em casa foi para me fazer comer tudo o que era possível. Legumes, verduras, carnes e afins. O peso começou a se estabilizar e, felizmente, sigo saudável até hoje.

Quanto à minha preocupação com a aparência, as coisas pioraram (acho que para maioria das pessoas) quando deixei de ser criança. Na adolescência, os meus "defeitos" começaram a ficar mais aparentes e eu comecei a perceber que, embora a minha família dissesse o contrário, eu poderia não ser, assim, tão bonita. Bonita, no conceito criado pela mídia e que vem sido construído (ou reconstruído?) durante anos. Meus traços do rosto não eram mais tão finos; naturalmente, minhas olheiras começavam a se atenuar; meu cabelo cacheado não atendia ao quesito "beleza" daquela velha menina de 15 anos que fui. Hoje, aos 24 anos, os quilinhos a mais chegaram e eu sinto falta do corpo que tinha aos 15 (eu deveria sentir falta?). Mas, a pergunta é: quando é que deixamos de amar aquilo que vemos no espelho?

Não sei se estou me equivocando ao dizer que todas as pessoas, em algum momento da vida, se preocuparam com a sua imagem e com a opinião que as demais pessoas teriam sobre ela. Com as redes sociais - likes, comentários e exposição frenética -, o "peso" da aparência passou a ser loucamente maior. Concorda comigo? Quem, então, passaram a ser as nossas inspirações de beleza? A mídia, sem dúvida, tem uma responsabilidade imensa quanto a essa formação de opinião. Seja alta, magra, com pernas longas, olhos claros, pele branca ou ligeiramente bronzeada, cabelos lisos e claros! - É o que pregam a cada publicidade, a cada novela, a cada reality show. A TV, as revistas e uma grande parcela da internet não se responsabiliza por EDUCAR A CONFIANÇA DAS MULHERES (e dos homens). Pelo contrário. Dessa forma, a aparência, que é apenas uma parte do que nós realmente somos, passa a ter mais valor do que qualquer outro aspecto de nós mesmas. 

Eu confesso, com pesar, que muitas vezes sou vítima dessa mentira. A mentira que a mídia nos conta. Com a intenção de refletir um pouco mais sobre esse assunto, assisti a alguns vídeos sobre, no TED Talks. Me deparei com uma modelo, ícone da Victoria's Secret, dizendo que "as imagens são poderosas e superficiais". A modelo dizia que aquilo que a mídia nos mostra a respeito dela própria, nada mais são do que construções e não representam o seu verdadeiro eu. Por trás do que vemos em passarelas, há o trabalho de diversos profissionais prontos para montar uma próxima personagem; o que nos é exposto é apenas uma versão alterada da realidade. Se você estiver refletindo comigo agora e se identificou, há uma coisa muito importante que preciso te dizer: liberte-se! Temos atributos individuais espetaculares. Não se martirize se você, como eu, não atende a todos os (loucos) padrões de beleza atuais. A beleza existe naquele que faz diferença no mundo real. Torço para que passem a valorizar a nós, mulheres, como um todo, um dia. Mas, amigas, comecemos por nós mesmas.

Deixo aqui algumas fotos que o Bruno fez de mim. Como um "viva!" ao que é real e as nossas mais lindas "imperfeições".










Beijos e até!

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