domingo, 5 de junho de 2016

AQUILO QUE VOCÊ ASSISTE PODE, SIM, MOLDAR VOCÊ.

Eu sou daquele tipo de pessoa que, quando assiste a um filme excelente, indica. Quando conhece um álbum sensacional de algum cantor, só fala nele. Quando descobre algum lugar que prepara um prato muito gostoso, quer levar todo mundo para lá. Quando algo me encanta, falo nisso por horas a fio. Você se identifica?

Pois é! Além disso, quando se trata de filmes, séries, músicas (e afins!) que eu passo a conhecer, logo procuro refletir sobre; questionar; perceber quem seria eu naquele contexto, naquela história. Já aprendi e desaprendi muita coisa com a arte, graças a esse hábito, felizmente. E, hoje, quero contar para você o que a peça "O BEIJO NO ASFALTO - O MUSICAL", de Nelson Rodrigues, me ensinou, me fez pensar, rever, constatar, reviver. Prometo que o meu foco não será resenhar a peça. Como você bem sabe, eu sempre venho aqui compartilhar os meus sentimentos. As minhas sensações. Então, vem comigo? As fotos são do Bruno, meu carinha.













Assistimos a ela na abertura do Festival Internacional de Teatro de Angra dos Reis, o FITA, na última sexta-feira. Se você se interessar (e eu acho que deveria!) em saber mais detalhes técnicos, você pode se informar pelo site oficial. Aqui, como eu disse antes, eu resolvi contar para você o que, nessa peça (e nesse dia, em especial), tocou o coração da gente de alguma forma. Depois de falar da peça, quero contar um pouquinho sobre essa noite, que nos surpreendeu de um jeito unicórnico, eu diria. Adoro essa palavra que inventei.

"O BEIJO NO ASFALTO" PARA REFLETIR:
  • Sobre a manipulação da mídia: Prometo tentar ser breve. Vamos lá! Quando um homem é atropelado por um ônibus, um outro, a fim de socorrê-lo, corre até ele e o segura entre os braços. Reunindo as suas últimas forças, o homem atropelado pede um beijo, um beijo na boca. Um beijo que Arandir não nega. O acontecimento logo vira notícia. A mídia, baseada em um jogo de interesses entre políticos e publicitários, ao invés de evidenciar o atropelamento e seus responsáveis, decide focar em Arandir e naquele beijo "proibido". O decorrer da peça baseia-se nesse ato. Você, se acompanha as redes sociais e os noticiários na TV, certamente já notou que a manipulação da mídia é uma verdade inquestionável. Não raro, o sensacionalismo se espalha e o que deveria, de fato, estar sob a atenção da mídia, passa por debaixo dos panos. Enquanto nós, espectadores, somos bombardeados com meias verdades e, quando não, com superficialidades. Quantas, quantas e quantas vezes a mídia reproduz o que "O BEIJO NO ASFALTO" denuncia?
  •  Sobre a fragilidade do "amor": A noiva de Arandir o ama e, segundo ela mesma diz, é extremamente feliz com ele. Porém, com tamanha polêmica envolvendo o nome de Arandir a respeito daquele beijo, Selminha começa a titubear ao defender o seu amor. Analisa antigas atitudes do marido até encontrar (ou seria mirabolar?) indícios que deixam suspeita a sua sexualidade. A pergunta que esse empasse me fez pensar foi: Quanta pressão externa o amor pode suportar? E, além disso, o que faria você desacreditar na palavra daquele que ama, ainda que ele nunca tenha mentido?
  •  Sobre amores reprimidos: Arandir era amado por um homem (vou manter segredo!), e esse amor só foi revelado ao final da peça. Também era amado por sua cunhada, Dalha, a irmã de Selminha. Ambos os amores foram escondidos no mais íntimo. E ambos os amores calados resultaram em atitudes drásticas quando a notícia do beijo no asfalto começou a se propagar. Aqui, eu me questiono se aqueles que reprimem ou escondem o amor que sentem por alguém por muito tempo podem ser verdadeiramente felizes.
  • Sobre acreditar em si, quando ninguém acredita: Arandir entendia que o beijo que havia dado naquele homem havia sido a coisa mais pura que ele já havia feito na vida. Embora as pessoas que viviam ao seu redor duvidassem da integridade de Arandir, ele não duvidava. Nem de sua sexualidade. Nem da força de seu amor por Selminha. Simplesmente confiava em si, embora soubesse que não era perfeito.
  • Sobre o preconceito escondido e revelado: Bastou o beijo no asfalto para que todos julgassem Arandir. De repente, todos os vizinhos, amigos de trabalho e familiares sabiam (na verdade, diziam saber) sobre algo que pusesse a sexualidade do homem em dúvida. A possibilidade de que ele amasse outro homem era, claramente, insuportável, inaceitável, digna de repúdio. Onde todos, antes, guardavam esse preconceito?

Além dessas reflexões, eu assumo que me emocionei (de chorinho mesmo!) com as canções desse musical. Que vozes! Que músicas! Espero que as minhas reflexões te levem a pensar junto comigo. A gente sempre tem muito o que aprender com a arte, certo?! Eu me despediria de você agora, mas não posso, sem antes contar a surpresa da noite de sexta.

A SURPRESA DA NOITE:

Lá vou eu tentar resumir outra vez! Já percebeu que não sou boa nisso, né? Anyway ... Há alguns dias atrás, o Bruno foi convidado pelo professor de fotografia dele, o Chagas, para assessorá-lo em um trabalho. Naquela noite, uma proposta linda nos surgiu. Ele nos convidou para participarmos de um PROJETO que promete ser um diferencial na nossa cidade. Mas, obviamente, vou manter segredo sobre o que se trata, posso? É que pretendo preparar um texto falando exclusivamente sobre isso. Mereço perdão?! A grande surpresa foi que, graças ao Chagas e ao nosso projeto, entramos como IMPRENSA na abertura do Fita! E o que é que eu fiz? Morri do coração.

Mentira, óbvio. Eu fiquei foi feliz demaaais! Posso adiantar, para te deixar com aquela pulguinha atrás da orelha, que entrevistei algumas pessoas e que o Bruno fez fotografias lindas! Foi, sinceramente, sensacional! Meu coraçãozinho acelerou no melhor dos sentidos e eu percebi que quando queremos muito alguma coisa, uma hora ou outra, se você estiver atento, ela acontece. Esse momento mexeu mesmo comigo e com as expectativas que tenho com a minha escrita. Você sabe que sou apaixonada por escrever, não sabe?! Enfim, como prometi, volto para contar sobre o projeto. Por enquanto, a gente vai trocando figurinhas sobre tudo o que nos faz "sentir".

Beijos e até!

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